O que o sol e a tempestade têm em comum?
- Matheus Henrique Drumond

- há 24 horas
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“Jesus disse: ‘Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que estão fazendo’.” (Lucas 23:34a)
Estamos chegando na Páscoa e lendo sobre a cruz me deparei com esse texto e passei a refletir:
Ser fiel e refletir a Cristo em dias de sol é simples, o louvor é quase automático e o sorriso vem fácil. Mas o que acontece quando chega o dia da tempestade? Quando somos "atravessados" por circunstâncias que não escolhemos, o que sai de nós? A quem refletimos ao carregar a própria cruz até o Calvário: a Jesus ou aos ladrões?
Podemos reagir como os ladrões que representam grande parte da humanidade quando ferida. Uma reação de revolta, deboche, a busca por culpados e o desejo de um alívio imediato que ignore qualquer propósito eterno. Ou podemos ter uma reação como a de Jesus que, mesmo no auge da dor, Ele não reagiu com infidelidade, mas com intercessão e confiança.
O tempo nublado tem uma função específica: embaçar a vista e dificultar a visão do alvo. Ele traz angústia e solidão — sensações que o próprio Jesus, como homem, expôs na cruz, mas notem que o sentimento de abandono não foi sinônimo de infidelidade. Ele continuou olhando para o Pai, mesmo quando não via ou sequer "sentia" a presença de Deus ("Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonaste" - Mateus 27:46 e Marcos 15:34).
Precisamos nos lembrar que mesmo quando não ouvimos a Sua voz, ainda temos a Sua Palavra eterna. A Palavra de Deus, assim como o próprio Deus, não muda. Ela nos dá a direção em meio aos dias nublados em que não conseguimos ver a referência. A aliança de Deus conosco encontra sua plenitude na cruz. A partir daí, nossa fé passa pela fornalha para ser testada. O fogo não serve para romper o pacto, mas para polir e moldar.
Muitas vezes, nossa fé é baseada no livramento, mas a fé bíblica é baseada na Soberania. Os três jovens na Babilônia nos ensinaram uma grande lição sobre isso. Antes de entrarem na fornalha, eles declararam: "O nosso Deus pode nos livrar... mas, e se não nos livrar, ainda assim não serviremos a outros deuses" (Daniel 3:17-18). Eles confiaram em Deus antes de saberem o resultado. Eles aceitaram que Deus continuaria sendo Deus, quer fossem salvos das chamas, quer fossem consumidos por elas. O ensinamento é que, mesmo nesses lugares de dor extrema, o Pai está lá.
Como esteve com eles e como esteve comigo.
Em dezembro de 2023, eu vivi o "e se não" da forma mais brutal. Eu passei por uma dor que nunca imaginei ser possível: eu perdi minha filha. Eu vivia dias ensolarados até que me vi no meio de um furacão.
Eu perdi meu rumo.
Naveguei sem direção.
Esqueci como era a sensação de pisar em chão firme.
Esqueci tudo o que já tinha ouvido ou aprendido.
A verdade é que sabemos que teremos aflições, e a esperança deveria servir de bússola. Mas, sendo sincero: não foi assim comigo. Eu perdi a referência. Eu perdi a esperança.
Mas o nosso Jesus é lindo! Quando nós não conseguimos enxergá-lo, Ele mesmo se revela. Ele surge em meio à tempestade, nos toma pela mão e se dispõe a nos guiar em meio ao vento forte e à neblina. Ele me auxiliou a enxergar além da escuridão e permitiu que eu voltasse a ver o sol brilhar.
A tempestade revelou em mim que minha casa estava firmada na areia. Ela precisou cair para eu construir uma nova casa, firmada na Rocha (Mateus 7:24-27). Minha nova casa agora resiste a tempestades e ela já foi testada (esse testemunho ficará para outra oportunidade).
Ainda que eu tenha reagido como o ladrão na cruz, Ele teve misericórdia de mim. Ele me mostrou que a cruz não era o fim, mas o começo de uma nova vida.
O que o sol e a tempestade têm em comum?
A presença de Deus.
Seja na tempestade com os discípulos, na fornalha com os jovens, na cruz com Jesus ou no dia ensolarado, a lição permanece: mesmo que você não O sinta, Ele está lá.
Como está o clima por aí hoje?
Saiba que Deus está aí, independente da temperatura.




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